Explicamos: Entenda a vacinação no Brasil em 10 questões

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Há centenas de vacinas contra o novo Coronavírus em desenvolvimento pelo mundo, por parte de diversos países e laboratórios.

No Brasil, o Instituto Butantan começou a produção no dia 10 de dezembro e adotou, desde então, um regime de fabricação intensivo para ter prontas, em janeiro, 40 milhões das 46 milhões de doses que o governo de São Paulo espera ter em mãos para dar início ao seu plano de imunização. As outras 6 milhões de doses serão importadas da China.

Muitas pessoas permanecem confusas acerca do tema vacinação e de como ela funcionará no Brasil. O Pleno.News reúne as dez dúvidas principais.

1- QUANDO COMEÇA A VACINAÇÃO NO BRASIL?
Nacionalmente, não há data específica, segundo o plano de vacinação do governo federal. A justificativa é de que só será possível saber após a aprovação de vacinas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), algo que ainda não aconteceu em relação a nenhum imunizante.

A promessa do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, feita em 16 de dezembro, era a de começar a vacinar os brasileiros possivelmente em fevereiro de 2021. Em São Paulo, a promessa é de começar a vacinação em 25 de janeiro de 2021. Mas tudo depende da conclusão dos testes e da aprovação, pela Anvisa, das vacinas.

2 – QUEM SERÁ VACINADO PRIMEIRO?
No plano do governo federal, profissionais da saúde, idosos com mais de 75 anos, idosos com mais de 60 anos e que estão em instituições de longa permanência (como asilos e casa de repouso), presidiários, quilombolas, moradores de rua, caminhoneiros e indígenas são considerados os grupos prioritários.

Já no plano de São Paulo, os profissionais de saúde, indígenas e quilombolas serão os primeiros a receber as doses. Depois, outras populações serão gradativamente vacinadas, num processo que pode demorar meses.

3- POR QUE HÁ DISPUTA ENTRE OS GOVERNOS FEDERAL E O DE SÃO PAULO?
A disputa é política. O presidente Jair Bolsonaro declarou que não pretende tomar a vacina, por não confiar na substância. O governador João Doria, que pretende impor a obrigatoriedade da vacinação, virou um adversário do Palácio do Planalto e nutre pretensões presidenciais.

4- POR QUE HÁ PAÍSES VACINANDO ANTES DO BRASIL?
Países como Reino Unido, EUA e Canadá iniciaram a execução de seus planos de vacinação já que fecharam contratos com antecedência e aprovaram emergencialmente vacinas que concluíram a fase de testes.

No Brasil, a aposta principal do governo federal foi no imunizante da Universidade de Oxford, com a farmacêutica anglo-sueca Astrazeneca. Mas os testes desse imunizante não estão concluídos, assim como os testes da Coronavac, vacina do governo paulista em parceria com uma empresa chinesa.

5- TOMAR A VACINA CONTRA A COVID-19 É SEGURO?
Se a vacina tiver seu registro aprovado na Anvisa e em agências sanitárias de outros países, é porque o imunizante teve sua eficácia e sua segurança cientificamente comprovadas. Esse processo é feito a partir de três fases de testes com milhares de voluntários, que são monitorados pelas equipes de cientistas para garantir que o imunizante surta efeito sem trazer problemas para a saúde do indivíduo. Efeitos colaterais leves são comuns.

6- PORQUE A PRODUÇÃO DESSA VACINA FOI MAIS RÁPIDA DO QUE OUTRAS, QUE DEMORARAM ANOS?
Houve um esforço global de cientistas para o desenvolvimento dessa vacina. Com uma troca intensa de conhecimentos, o processo foi acelerado. Contribuiu também o fato de que o genoma – a estrutura – do vírus foi sequenciado rapidamente, passo essencial para o início do desenvolvimento de vacinas.

Além disso, algumas das vacinas que estão em fase finais de teste já estavam sendo desenvolvidas antes para evitar outras doenças, como a Mers, condição causada por um outro tipo de coronavírus. O que os pesquisadores fizeram foi redirecionar os componentes para agir contra o novo Coronavírus.

7 – PORQUE A RESISTÊNCIA À VACINA DESENVOLVIDA NA CHINA?
Muitas teorias afirmam que o novo Coronavírus foi criado em um laboratório chinês, com o objetivo da China se tornar a maior potência global. Com o início do desenvolvimento das vacinas, novas afirmações do tipo surgiram, como uma que diz que a vacina implantará um chip nas pessoas, que passarão a ser rastreadas pelo governo chinês.

Não há evidências. Apesar disso, na quarta-feira (16), o governo federal anunciou que a vacina chinesa CoronaVac foi incluída no plano nacional de imunização.

8- A VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 SERÁ OBRIGATÓRIA NO BRASIL?
Bolsonaro diz ser contra a obrigatoriedade. Doria diz que, em São Paulo, vai obrigar a população a se imunizar. Uma lei federal de 1975 dá ao governo federal o poder de definir a obrigatoriedade. Já uma lei de fevereiro de 2020 abre brechas para que essa definição fique com estados e municípios. O Supremo está julgando duas ações que discutem a obrigatoriedade da vacina.

9 – QUAL A IMPORTÂNCIA DE TOMAR A VACINA CONTRA A COVID-19?
A vacinação é um passo importante para frear o avanço do vírus pelo mundo. Com boa parte da população imunizada, menos pessoas serão infectadas, e, consequentemente, casos graves e mortes diminuirão de modo significativo. Além disso, com menos circulação do vírus, será possível o retomo, com mais segurança, das atividades como aulas presenciais, eventos culturais e o funcionamento normal da economia.

10 – QUANDO A VACINAÇÃO COMEÇAR A PANDEMIA VAI ACABAR?
Iniciar a vacinação é apenas um passo para que a vida possa ser retomada com alguma normalidade da realidade pré-vírus. Caso os governos consigam aplicar imunizantes em larga escala, o avanço da doença deve ser interrompido.

Pesquisadores consideram que, no caso do Coronavírus, uma imunidade que alcance uma taxa de 60% a 70% de pessoas vacinadas seria suficiente para frear as infecções. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), há esperança de que as vacinas tragam consigo o fim da pandemia.

Mas esse é um processo que demora meses, portanto a manutenção de medidas como distanciamento social e uso de máscaras continua sendo importante mesmo após o início da vacinação. Caso não haja adesão em massa ao imunizante, os efeitos da vacinação não serão sentidos de modo amplo, e o vírus continuará circulando.

*Pleno News

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