LUPA VERIFICA: Vacina cujos testes foram interrompidos no Peru não está sendo testada no Brasil

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———————-LUPA————————

Circula nas redes sociais uma foto do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), segurando uma embalagem da CoronaVac, acompanhada de texto sobre o Peru ter suspendido os testes com “a vacina chinesa”. O imunizante teria provocado “paralisia nas pernas”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Urgente: Peru para o teste da vacina chinesa por causar paralisia nas pernas”

Texto que circula junto com uma foto de João Doria segurando uma caixa da Coronavac que, até às 14h30 do dia 14 de dezembro de 2020, tinha sido compartilhado por 445 pessoas

————————–Correção da Matéria————-

O Peru anunciou nesta sexta-feira (11/12) a suspensão temporária dos ensaios clínicos da vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinopharm para covid-19, após terem sido detetados problemas neurológicos em um dos voluntários.

O Instituto Nacional de Saúde peruano decidiu suspender os testes como medida de precaução, depois de um voluntário se ter queixado de dificuldades para mexer as pernas, devido a fraqueza, de acordo com órgãos de comunicação locais.

“Há alguns dias, comunicamos devidamente as autoridades reguladoras de que um dos nossos participantes [nos ensaios clínicos] apresentava sintomas neurológicos que poderiam corresponder a uma complicação conhecida como Guillain-Barré”, explicou o chefe da equipe de pesquisa principal dos ensaios clínicos da vacina, German Malaga, segundo a imprensa peruana.

A síndrome de Guillain-Barré é uma doença rara, não contagiosa, em que o sistema imunológico do paciente ataca parte do sistema nervoso periférico, podendo levar a fraqueza muscular, perda de sensibilidade nas pernas e braços e até paralisia.

Em meados de 2009, o Peru tinha declarado emergência sanitária em várias regiões do país devido a vários destes casos.

Casos semelhantes nos EUA
Casos semelhantes ocorreram durante a vacinação contra a gripe suína nos Estados Unidos na década de 1970. Cerca de 450 pessoas apresentaram sintomas da síndrome de Guillain-Barré.

Os testes da vacina, realizados em cerca de 12 mil voluntários, deveriam estar concluídos esta semana.

Em caso de resultados positivos, que não eram esperados até meados de 2021, o governo peruano tinha planeado adquirir cerca de 20 milhões de doses para vacinar dois terços da população do país.

A Sinopharm usa o método do vírus inativado para fabricar vacinas. Assim, o ingrediente ativo não precisa ser resfriado a baixíssimas temperaturas como é o caso do inoculante da Biontech-Pfizer sendo, portanto, um produto mais fácil de transportar e armazenar.

No entanto, como outros fabricantes chineses, Sinopharm ainda não publicou quaisquer dados sobre a segurança ou eficácia da substância. A reputação de fabricantes chineses de vacinas também tem sido afetada por escândalos envolvendo produtos vencidos ou de baixa qualidade.

Desde o início da pandemia, o Peru registou 36.499 mortes devido ao novo coronavírus e 979.111 casos de covid-19.

Emirados Árabes Unidos
Os Emirados Árabes Unidos já aprovaram a vacina da Sinopharm para uso popular generalizado nesta semana. Na decisiva terceira fase do estudo, foi atestada uma eficácia de 86%, segundo o Ministério da Saúde em Abu Dhabi.

O país também disponibilizou doses da substância para seu aliado Egito, como um “presente dos Emirados Árabes Unidos”, conforme anunciou a ministra da Saúde egípcia, Hala Sajid, nesta quinta-feira, após a chegada do carregamento ao Cairo, conforme noticiado pela mídia estatal. A vacina deve ser disponibilizada gratuitamente aos cidadãos.

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